Mercado Imobiliário Guimarães em transformação: as tendências que estão a redesenhar o mercado imobiliário 03 jun 2026 min de leitura Diogo Baptista Antunes, CEO da Dipe Real Estate, analisa as principais conclusões do relatório Real Estate Market Insights Guimarães 2025, que revela um mercado imobiliário em crescimento, mas ainda condicionado por vários obstáculos ao aumento da oferta habitacional. Os preços das casas em Guimarães subiram de forma muito expressiva na última década, aproximando-se dos 2.000 euros por metro quadrado, valor médio de novos e usados. No ano passado, as transações atingiram máximos históricos e há quase 3.000 novos fogos em pipeline. À primeira vista, o retrato traçado pelo relatório Real Estate Market Insights Guimarães 2025, da Dipe Real Estate, sugere um mercado em plena expansão. Mas por detrás dos números positivos estão desafios que continuam por resolver, desde a escassez de oferta ao aumento das rendas e às dificuldades de acesso à habitação. Para Diogo Baptista Antunes, CEO da Dipe Real Estate e responsável pelo relatório, a valorização do mercado vimaranense não pode ser analisada isoladamente. “O primeiro motor não é local, é macroeconómico”, afirma. Depois de vários anos em que a construção praticamente estagnou, a recuperação económica encontrou uma oferta incapaz de responder à procura acumulada, fenómeno que ajudou a impulsionar os preços em Portugal e em muitos outros mercados internacionais. “Isto é fundamental para enquadrar a discussão: a valorização de Guimarães não é uma anomalia local, é a expressão local de um fenómeno global”, salienta. Valorização sustentada por fundamentos económicos Ainda assim, o responsável considera que Guimarães reúne características próprias que explicam a evolução dos preços no setor imobiliário. “Fomos Capital Europeia da Cultura, Cidade Europeia do Desporto, e somos agora Capital Verde Europeia. E isto não é desligado da economia, é a face visível de um concelho com uma base económica pujante. Uma cidade que exporta, que gera emprego qualificado e que fixa população é, por definição, uma cidade com procura estrutural por habitação”, sublinha. A estes fatores junta-se o aumento dos custos de produção. Segundo o relatório, o índice de construção subiu 27% desde 2021, enquanto os custos com mão de obra aumentaram mais de 38%. Apesar da forte valorização registada na última década, Diogo Baptista Antunes rejeita a ideia de que exista uma bolha imobiliária. “O mercado não tem características especulativas. O risco real não é uma bolha. O risco é o bloqueio progressivo do acesso à habitação para os rendimentos mais baixos”, alerta. Comprador continua a ser local Contrariamente à ideia de que o mercado estará cada vez mais dependente de investidores ou compradores estrangeiros, os dados recolhidos pela Dipe mostram que a procura local continua a ser dominante. Segundo o CEO da empresa, a maioria das aquisições continua a ser feita por famílias que procuram habitação própria permanente. “É o vimaranense, ou quem vem das cidades vizinhas atraído por Guimarães, a comprar para viver. Essa é a espinha dorsal do mercado e não há ambiguidade nisso.” Mão de obra e licenciamentos continuam a travar a oferta Se a procura continua robusta, a oferta permanece condicionada por problemas estruturais. Para Diogo Baptista Antunes, a principal limitação do mercado não é o solo disponível nem a falta de investimento, mas sim a escassez de trabalhadores qualificados na construção. “A segunda grande limitação são os licenciamentos”, acrescenta. Arrendamento é onde o problema mais se sente De acordo com o relatório, as rendas mais do que duplicaram desde 2017. Para Diogo Baptista Antunes, este é atualmente o segmento onde as dificuldades de acesso à habitação se manifestam de forma mais evidente. Mercado continua favorável aos vendedores Os indicadores de comercialização mostram também um mercado muito dinâmico. A taxa média de desconto ronda atualmente os 3,7%, enquanto o tempo médio de absorção caiu para cerca de seis meses, metade do que era em 2017. Tendências que vão marcar o futuro O relatório identifica várias tendências que poderão moldar o mercado vimaranense nos próximos anos, incluindo o reforço dos núcleos urbanos periféricos, a redução das áreas das habitações, a valorização dos espaços comuns nos empreendimentos, o crescimento da construção industrializada e uma preocupação crescente com a eficiência energética. Segundo o responsável, esta última deixou de ser apenas uma questão ambiental. “O comprador começa a olhar para o custo total de utilização da casa e não apenas para o preço de aquisição.” Com quase 3.000 fogos em pipeline e novos incentivos públicos à construção, o mercado poderá ganhar algum equilíbrio nos próximos anos. No entanto, Diogo Baptista Antunes acredita que as medidas atualmente em vigor, por si só, não serão suficientes. “O foco tem de estar nos verdadeiros estrangulamentos estruturais: mão de obra e licenciamentos. É aí, e não tanto na fiscalidade temporária, que se joga a capacidade real de aumentar a oferta.” In jornal Públcio 03/06/2025 Mercado Imobiliário Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado